Como tudo começou
Não é à toa que o símbolo da Vento em Popa é um barco a vela. Desde a primeira atuação, a ONG já o havia escolhido como um dos seus principais instrumentos didáticos. Em 2001, através de uma parceria com a escola de iatismo BL3, a VEP deu inicio a suas atividades com aulas de vela para crianças de 08 a 12 anos, no Jd. Três Marias, às margens da represa Guarapiranga.
Ampliando o olhar
Visando expandir sua atuação, a VEP procurou outras empresas e instituições para estabelecer parcerias, porém as mesmas eram resistentes em acreditar na eficácia do projeto, afinal o iatismo é visto como um esporte elitista e os barcos em geral são muito caros. Surgiu então a idéia de se criar um barco apropriado para o projeto: simples, barato e seguro, que pudesse ser construído por jovens de comunidades de baixa renda e assim propiciar a popularização da vela.
O barco Saracura
Depois de ter o desafio recusado por algumas fabricas de barcos, o diretor da VEP, Frederico Rizzo, resolveu fazer a proposta a alunos de Engenharia Naval da Escola Politécnica da USP. Eles toparam e dentro do prazo estabelecido, mesmo sem nenhuma experiência, conseguiram construir o primeiro barco com o custo de R$ 1.500, que podia acomodar até três crianças e, assim, estimulava a cooperação dos velejadores.
Analisando alguns aspectos como durabilidade e segurança desse primeiro barco, fez-se modificações no projeto inicial. Dessa vez, contando também com o apoio do construtor Jackson Bergamo foram construídos dois outros barcos, ainda dentro da USP, porém bem mais parecidos com a versão atual. Com tal avanço, a VEP já estudava a possibilidade de atuar com a vela em outra comunidade, onde a demanda social era bem maior.
Rumando para as águas da Billings
Em 2005 a VEP encontrou o local ideal para instalar sua sede na península do Cocaia, especificamente no bairro jd. Gaivotas, onde já estava atuando com o Resoluto e com o Maluco por livro.
Recrutar os primeiros marujos do Saracura não foi tarefa fácil, afinal, boa parte da comunidade tinha (muitos ainda têm) medo da represa. Mas aos poucos, os que se arriscavam a velejar naquele simples barco de madeira foram se encantando, o que parece ser algo comum a todos os velejadores.
Assim a primeira turma do projeto planejou a construção de um Núcleo Náutico, onde seriam guardados os barcos e também de onde deveriam partir as tripulações do Saracura rumo a importantes missões pela preservação da Billings e pelo desenvolvimento de uma comunidade capaz de utilizar e valorizar suas potencialidades.
Com a ajuda exclusiva de voluntários, o Núcleo Náutico começou a sair do papel e jovens da própria região começaram a construir os primeiros barcos dando inicio a grande jornada do Saracura.