Como tudo começou
No inicio o Manancial de Leitores se chamava Maluco por Livro e nasceu
inspirado no Programa de Extensão Bibliotecária “Mala do Livro – Biblioteca
Domiciliar”, instituído por decreto oficial da Secretaria de Cultura e Esporte
de Brasília em 1996. O Programa consiste no seguinte: donas de casa
recebem caixas-estantes de livros, são capacitadas para cuidar do acervo e
controlar empréstimos, tornando-se agentes de leitura, o que facilita e
incentiva a leitura em comunidades carentes distantes das bibliotecas
públicas. Em 2001, o Mala do Livro alcançou a marca de 13,9 mil leitores, e
distribuiu 350 malas em todas as cidades-satélites e em três cidades do
entorno do DF.
A metodologia aplicada no Jd. Gaivotas
Não foi exatamente com malas, mas também
distribuindo livros que o Maluco por Livro
possibilitou a instalação de três mine-bibliotecas:
na Unidade Básica de Saúde, na
Associação de Famílias, presidida
pela liderança Emília Vieira, e numa
das creches da comunidade do Jd.
Gaivotas, onde a Vento em Popa iniciou
sua atuação na península do Cocaia.
Na creche, sob a coordenação da
educadora Jaciara, os livros
potencializaram as aulas das crianças e
alguns moradores começaram a fazer
empréstimos. Semanalmente, na
Associação e na Unidade de Saúde,
eram organizadas mediações de
leitura com o apoio da VEP que
orientava o funcionamento das
mini-bibliotecas e buscava parcerias.
No entanto, a gestão e manutenção
dos acervos continuavam sendo o
grande desafio e o que indicou a
necessidade de se
repensar a estratégia.
Mudança de premissa
Analisando as primeiras experiências, o Maluco por Livro optou por mudar
sua característica e passou a concentrar energias na organização de uma
única e boa biblioteca em toda a comunidade do Jd.Gaivotas. Na própria
sede da Vento em Popa, buscou-se criar um espaço com aura de biblioteca,
ou seja, com ambiente para estudos, para mediações de leitura, e onde as
dificuldades de gestão pudessem ser superadas.
A formação dos primeiros mediadores da comunidade
Contando com o apoio do projeto Anchieta e com a metodologia aplicada
pela Abrinq/A Cor da Letra, o Maluco por livro conseguiu formar os primeiros
mediadores de leitura da comunidade, jovens que voluntariamente
começaram a realizar mediações na sede da VEP e na Escola Loteamento
das Gaivotas I.
Somando a atuação dos mediadores à biblioteca do Jd.Gaivotas e as
demais da península do Cocaia, o projeto foi tomando forma: percebeu-se
que mais do que formar malucos por livros, é possível formar uma grande e
poderosa rede de bibliotecas, que deve dar suporte às escolas, que têm
papel dos mais importantes no desenvolvimento de uma comunidade de
leitores. Nasceu assim o Manancial de Leitores.